Imprensa

30 out 2015
Com grana a receber, médicos temem calote da Unimed Paulistana

Com grana a receber, médicos temem calote da Unimed Paulistana

Profissionais reclamam de prejuízos financeiros e perda de tempo atendendo o plano de saúde

Portal R7 – Economia
30/10/2015
 

A quebra da Unimed Paulistana no início de setembro mexeu não só com a vida dos mais de 740 mil beneficiários, mas também com a rotina dos médicos que aceitavam o plano de saúde. Sem receber os pagamentos a que têm direito pelos serviços prestados, os profissionais temem tomar um calote da operadora paulistana.

Em geral, todos os médicos que fizeram quaisquer procedimentos clínico e cirúrgico com a cobertura da Unimed Paulistana estão sujeitos a amargar o calote. Isso vale também para laboratórios e hospitais.

Um médico anestesista ouvido pela reportagem do R7, que não quis se identificar, relatou que tem cerca de R$ 10 mil a receber da Unimed Paulistana. Ele explica que alguns colegas atendiam muitos pacientes pelo plano de saúde e têm cerca de R$ 70 mil a receber da Unimed.

— A priori, a gente não vai receber. A gente investiu nosso tempo e corremos o risco operando os pacientes. E a gente não vai receber. Tem o risco financeiro, de tempo e risco de sofrer um processo. Para completar, se eu for cobrar essa conta, vou gerar um imposto para o governo e ainda não vou receber. Então, acho que não vale a pena.

O anestesista explica que o pagamento de consultas, cirurgias e outros procedimentos médicos feitos por meio dos planos de saúde é feito depois de dois meses.

— Então, os médicos que aceitavam o convênio já vêm sendo prejudicados desde julho e agosto. E, quando surgiu o boato [da quebra da Unimed Paulistana], quem continuou atendendo se ferrou. No dia que quebrou, eu fiz quatro cirurgias e sei que não vou receber.

O advogado Rodrigo Araújo, especialista em planos de saúde e sócio-fundador do escritório Araújo, Conforti e Jonhsson — Advogados Associados, confirma que muitos médicos deixaram de atender os pacientes da Unimed Paulistana para não ficar no prejuízo.

— Eles perceberam naquele momento que, sem poder vender planos, a Unimed Paulistana ficaria sem dinheiro e não teria como repassar o valor dos atendimentos.

Nem a Unimed Paulistana nem a Unimed Nacional quiseram comentar a situação dos médicos. Questionada, a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) também não quis se pronunciar a respeito da situação dos médicos.

Fonte: Portal R7 – Economia

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