Imprensa

04 dez 2014
Hospitais de São Paulo barram pacientes de plano de saúde

Hospitais de São Paulo barram pacientes de plano de saúde

Hospitais de São Paulo barram pacientes de plano de saúde

  Eduardo Anizelli/Folhapress  
2014.12.04_folha
Vilma Diogo, 48, diz que a mãe, com câncer, tem dificuldades para conseguir atendimento pelo plano
GIOVANNA BALOGH DE SÃO PAULO

04/12/2014 02h00 – Atualizado às 06h58

Usuários do plano de saúde Unimed Paulistana têm encontrado dificuldades para agendar consultas e fazer exames e cirurgias em alguns hospitais de São Paulo.

Como o plano tem atrasado pagamentos a hospitais credenciados, instituições vetaram os atendimentos. A Unimed Paulistana tem cerca de 800 mil usuários.

O hospital A.C Camargo rescindiu contrato com a operadora porque, segundo afirma, ela não tem “cumprido suas obrigações financeiras nos últimos meses”.

O hospital Samaritano também rompeu com o plano. O Santa Isabel, da Santa Casa, diz enfrentar problemas e não descarta vetar atendimentos. No local, ao procurar a unidade, os pacientes só têm conseguido atendimento no pronto-socorro.

No hospital Oswaldo Cruz, atendentes dizem aos pacientes que o atendimento do plano está “temporariamente suspenso”. À Folha, porém, a unidade disse que usuários são atendidos normalmente.

Diante desse impasse, pacientes têm procurado a Justiça para que possam continuar com o tratamento.

Com metástase óssea, no pulmão e na pleura, a aposentada Francisca Maurenice Mota, 75, faz tratamento no A.C. Camargo há oito anos.

Após ficar 22 dias internada no mês passado, ela retornou à unidade dois dias depois e foi informada que não poderia mais ser atendida.

“Só atenderam depois porque viram que era retorno, mas você tenta marcar as consultas, os exames e não consegue mais. Virou um jogo de empurra entre a Unimed e o hospital”, diz a filha da paciente, Vilma Mota Diogo, 48.

Vilma diz que mensalmente a mãe tem que aplicar um medicamento por causa do câncer nos ossos, mas foi impedida de seguir o tratamento. A família decidiu procurar um advogado para entrar com ação na Justiça.

Procurado, o hospital diz que pacientes com tratamento em curso de ciclos de quimioterapia e radioterapia serão atendidos normalmente até encerrarem as sessões.

O advogado da paciente, Julius Conforti, diz que os pacientes são pegos desprevenidos e ficam sem saber se podem ou não ser atendidos.

Ao ligar para o plano de saúde, são informados que aquele hospital é coberto pela operadora enquanto a unidade de saúde recusa o atendimento. “A ANS [agência reguladora dos planos] considera válida a troca de uma entidade hospitalar que é referência em uma determinada patologia por um de atendimento geral. Isso não representa a manutenção da equivalência dos serviços contratados”, diz.

Já o aposentado Edson Martins de Lara, 93, sofre uma anemia crônica e recebe transfusões de sangue com frequência no Santa Isabel.

A neta dele, Vivian Brukhnova, 38, diz que o avô normalmente é internado, mas há 15 dias foi atendido somente no pronto-socorro após espera de 12 horas.

“Ele chegou às 8h e só foi atendido às 20h. Às 22h30 começou a transfusão e ele teve alta a 1h30 da manhã. Ele tem 93 anos. Não permitiram ele dormir lá pois disseram que o plano não cobriria”, afirma a neta, que paga cerca de R$ 1.000 pelo plano.

“Antes, ele era sempre internado. Entrava em um dia, saia no outro. Agora, dão a desculpa de que a Unimed não paga”, reclama Vivian.

A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) diz que a operadora está sendo acompanhada após serem notados “problemas financeiros e assistenciais graves”. Segundo a ANS, se o paciente tiver dificuldade de atendimento, deve procurar o plano e, em seguida, entrar com uma queixa na agência.

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